‘Ruby Marinho’, no Roxy, é uma boa pedida para pais e filhos

Novo longa-metragem da Dreamworks discute as dores do crescimento, usando o fundo do mar para falar sobre adolescência

‘Ruby Marinho’, no Roxy, é uma boa pedida para pais e filhos
Cena do filme Ruby Marinho da Universal Pictures e DreamWorks (Universal Pictures)

Os dilemas do crescimento são universais. Não importa quem você seja ou de onde você é, sempre haverá preocupação com as mudanças do corpo, com a pressão da família e com aquela necessidade urgente de definir seu futuro pra logo. Tudo é pra ontem. E é justamente sobre essa fase da vida que fala Ruby Marinho: Monstro Adolescente, animação da Dreamworks em cartaz também nas salas de cinema em Passos e São Sebastião do Paraíso.

 

Dirigido por Kirk DeMicco e Faryn Pearl, o longa acompanha Ruby, uma doce e desajeitada garota que é, na verdade, uma kraken – aquele monstro marinho que habita a imaginação das pessoas envolvendo o fundo do mar, indo desde o poema de Alfred Tennyson até a criatura de H.P. Lovecraft. Apesar de ser tão diferente, porém, ela enfrenta os mesmo dramas: uma paixão avassaladora, o medo do baile de formatura e desavenças com a mãe.

 

Ruby Marinho e as inversões de expectativas

 

É uma história bem parecida com a de Red: Crescer é uma Fera, animação da Disney-Pixar lançada diretamente no streaming Disney+, com algumas diferenças. Um fala sobre uma garotinha que vira um panda-vermelho gigante, enquanto este aqui fala sobre uma garota-kraken, em um mundo de humanos, que aos poucos descobre sua verdadeira identidade no fundo do mar ao virar um monstro de tamanho estratosférico e muito temido.

 

Ruby Marinho: Monstro Adolescente ainda brinca com um outro elemento, invertendo as expectativas: as sereias, que são geralmente seres de luz e retratados como benevolentes, aqui se tornam as vilãs. São as inimigas mortais dos krakens, travando uma guerra no mar.

 

“Todos nós pensamos que conhecemos as histórias do kraken – que eles são esses monstros sedentos de sangue, afundadores de navios. O mesmo acontece com as sereias, que são tradicionalmente personagens de contos de fadas adoráveis e divertidas. Estamos invertendo isso”, afirma a produtora Kelly Cooney ao site NovaStream. “Mas, no fundo, esta é a história de uma adolescente que está tentando encontrar o seu lugar no mundo”.

 

Uma história familiar

 

Ainda que depois dessas inversões de expectativas a história embarque em uma certa obviedade, dando pra adivinhar como termina com apenas 20 minutos de projeção, Ruby Marinho: Monstro Adolescente tem coração. A personagem principal, que no original é dublada por Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei), emociona e consegue convencer – dá para perceber que garotas adolescentes podem se identificar com ela.

 

Além disso, as questões familiares logo ganham força, principalmente na forma de relacionamento com a avó (Jane Fonda, no original) e a mãe (Toni Collette). Não precisa ser kraken para passar por essas situações. “[O filme] mostra esta família que se afastou. Mamãe e vovó não estão se falando, e Ruby está um pouco presa no meio de tudo e precisa descobrir uma maneira de reunir sua família e, ao mesmo tempo, tornar-se ela mesma”, explica o diretor da animação, Kirk DeMicco, também ao site NovaStream.

 

Com isso, Ruby Marinho: Monstro Adolescente tenta abocanhar vários tipos de público, principalmente pais e filhos, mas sem nunca soar sério demais como algumas animações da Pixar, como Divertida Mente e Soul. É um filme com temas densos e complicados, mas que nunca perde o foco: ser uma aventura lúdica e verdadeira para as crianças e pré-adolescentes, principalmente do público feminino, a partir do mistério do fundo do mar. (Matheus Mans/Estadão)

 

RUBY MARINHO - MONSTRO ADOLESCENTE (Ruby Marinho). EUA, 2023. Gênero: Animação, Infantil, Comédia. Direção: Kirk DeMicco. Cine Roxy, em Passos, 16h00. Cine A, em Paraíso, 16h45

 

Veja o trailer: