Nível da represa de Jaguara, no Rio Grande, será reduzido

Medida solicitada pelo Ministério Público visa oferecer condições para vistoria técnica numa ponte

Nível da represa de Jaguara, no Rio Grande, será reduzido
A partir desta sexta-feira será feita uma redução do nível da represa em 10 cms por dia até a cota 556 (Divulgação)


A Usina Hidrelétrica Jaguara, sob operação da Engie Brasil Energia, anunciou que reduzirá o nível de seu reservatório a partir desta sexta-feira, 4. A medida tem como objetivo garantir as condições necessárias para uma vistoria técnica à ponte que liga os municípios de Rifaina e Sacramento (MG), marcada para o dia 9. O pedido foi feito Ministério Público.

A redução, que será feita gradualmente em cerca de 10 centímetros por dia, permitirá que a cota máxima de 556,50 metros, permitida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), seja alcançada para a inspeção das estruturas da ponte.

 

CONDIÇÕES DA PONTE

 

A ação acontece em meio a um cenário de crescente preocupação da população local e autoridades da região quanto à segurança da ponte. Em fevereiro de 2024, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando vigas de sustentação com sinais evidentes de corrosão, o que levantou alertas sobre a integridade da estrutura.

Desde 2021, o Ministério Público acompanha o caso por meio de um inquérito civil, buscando identificar as responsabilidades pela manutenção da ponte, que ainda segue sem uma solução definitiva.

A ponte foi originalmente construída pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), mas atualmente a Usina Hidrelétrica Jaguara é operada pela Engie.

Apesar disso, a responsabilidade pela manutenção da ponte permanece indefinida. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de São Paulo realiza serviços de manutenção no encabeçamento da estrutura do lado paulista, mas nega ser responsável pela conservação do restante da ponte. O mesmo posicionamento foi adotado pelo DER de Minas Gerais, que também afirmou não ser o responsável pela ponte.

Além disso, o Ministério Público de São Paulo comunicou o Ministério Público Federal, ressaltando que, por se tratar de uma ponte que conecta dois estados, há um interesse da União no caso, complicando ainda mais a atribuição de responsabilidades.

A Usina Hidrelétrica Jaguara reforçou que em caso de dúvidas sobre a redução no nível da represa, a comunidade pode entrar em contato diretamente pelos números (34) 3351-9501 ou 9502.

Embora o procedimento para a vistoria esteja em andamento, não foi informado se haverá obras e quando começaram.

 

OPERAÇÕES AMPLIADAS

 

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a ampliação das operações da Usina Hidrelétrica de Jaguara, entre os municípios de Rifaina (SP) e Sacramento (MG).

O projeto é um dos que devem fazer parte do Leilão de Reserva de Capacidade, solicitado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e com consulta aberta no mês passado.

Com o novo edital, o objetivo é que a UHE gere ao sistema elétrico nacional 232,5 megawatts (MW) além dos 424 megawatts da atual capacidade instalada.

A consulta pública deve ocorrer até abril. O leilão com as empresas interessadas, e que tiveram até o dia 14 de fevereiro para se cadastrar, deve acontecer em junho.

 

USINA HIDRELÉTRICA EM RIFAINA

 

A usina hidrelétrica de Jaguara, cuja represa se tornou um importante polo de atração turística da região (leia mais aqui), fica no Rio Grande, entre municípios de São Paulo e Minas Gerais, e entrou em atividade em 1971 com um reservatório que cobre 34,6 quilômetros quadrados.

Desde 2017, a planta, até então sob a gestão da Cemig, faz parte da estrutura de geração da Engie Brasil Energia, que ganhou a concessão até 2047 após ser leiloada pelo governo federal por R$ 2,171 bilhões.