Falta de repasse do governo gera crise na APAC de Passos
A falta de recursos financeiros compromete a capacidade da Associação de cumprir sua missão de ressocialização e assistência

A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Passos enfrenta uma grave crise financeira que coloca em risco a continuidade de suas atividades e a assistência aos 145 recuperandos na instituição. A situação se agrava em todas as unidades do estado pela falta do repasse trimestral que deveria ser enviado pelo governo de Minas Gerais através da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) até o final de fevereiro.
Sem o dinheiro, no valor de R$ 680 mil, a APAC do município se vê diante de uma realidade alarmante: a falta de alguns alimentos para todos que cumprem pena, impossibilidade de cumprir com a folha de pagamento dos 23 funcionários conveniados com o Estado e fornecedores. Atualmente, 95% da receita da instituição está comprometida, o que torna insustentável a manutenção das operações diárias.
A direção da instituição, através da advogada e presidente Renata de Lima Miranda, lançou uma campanha de arrecadação de alimentos para suprir as necessidades básicas dos sentenciados que cumprem pena, que incluem itens essenciais como macarrão, salsicha, feijão e carne. A escassez de produtos está afetando diretamente a alimentação de todos, cuja dieta deve ser adequada para garantir sua saúde e bem-estar.
“A situação não é nada boa. Para amenizar um pouco, tivemos que lançar uma campanha junto à população com o objetivo de arrecadar alimentos em geral. Também necessitamos de dinheiro para comprar outros itens básicos no almoço e jantar. Quem puder ajudar, a chave pix é o telefone (35) 9-9700-8486”, explicou Renata.
Os recuperandos da APAC participam de diversas atividades diárias, que vão desde trabalhos na própria sede, onde contribuem para o acabamento de móveis, até estudos e tarefas domésticas, como cozinhar, lavar e realizar a higienização do espaço. Essas atividades são fundamentais não apenas para a rotina, mas também para a reintegração social dos que possuem o benefício de remição de pena em cumprimento.
Vale ressaltar que ninguém dorme fora da sede da associação, garantindo um ambiente seguro e estruturado para todos. Dentre os condenados, alguns foram absorvidos pela prefeitura através do regime semiaberto, o que demonstra que a instituição tem se esforçado para oferecer oportunidades de reintegração ao convívio social. No entanto, a falta de recursos financeiros compromete a capacidade da APAC de cumprir sua missão de ressocialização e assistência.
“A situação crítica exige uma resposta urgente das autoridades competentes, pois a continuidade das atividades da associação é vital tanto para os recuperando quanto para a comunidade. A campanha de arrecadação de alimentos é uma tentativa de mitigar a crise, mas sem o suporte necessário do governo, o futuro da instituição e das pessoas que dela dependem permanece incerto. A APAC de Passos clama por ajuda e apoio, em busca de soluções que garantam a dignidade e o sustento dos sentenciados”, comentou a presidente.
Além de Renata, o vice-presidente é Edson Aparecido Gazeta, e o diretor de metodologia, Hélio Martins de Araújo. Há também os conselhos administrativo e fiscal. Na APAC, há atualmente, 27 pessoas que contribuem voluntariamente em diversas frentes de serviços.